Mesa Setorial do INSS debate o percentual de compensação da greve de 2024

Membros do Sindprev/DF, da Condsef e de outras entidades de classe se reuniram na Mesa Setorial do INSS para debater, entre outros tópicos, o percentual de compensação que os servidores terão de cumprir para quitar os dias de paralisação da greve do ano passado

Paulo Castro (Ascom do Sindprev/DF)

No dia seguinte à reunião com a Presidência do INSS (12/06), o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social no Distrito Federal (Sindprev/DF) e representante da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), João Torquato dos Santos, participou da Mesa Setorial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Brasília (DF), junto com vários outros membros de entidades sindicais.

A pauta do encontro se restringiu a três tópicos: 1º) percentual de compensação da greve de 2024; 2º) reestruturação das atribuições dos cargos de técnico e analista do INSS; e 3º) a utilização da inteligência artificial nos atendimentos do público de aposentados e pensionistas da Previdência Social. Todavia, devido à importância do primeiro tópico e às numerosas contribuições de informações debatidas por todos os participantes do encontro, apenas o primeiro assunto foi debatido no encontro.

O tema da compensação levou a um debate acalorado tanto entre os representantes que estavam presentes no debate quanto para os que participavam por videoconferência. Uma opinião que se mostrou praticamente unânime durante todo o encontro foi que deve haver um modelo de compensação dos dias parados pela greve que seja eficiente e que foque na qualidade do trabalho realizado, de modo a diminuir a fadiga dos servidores, e não na quantidade, principalmente levando-se em consideração a situação de insalubridade profissional que muitos servidores têm experimentado no seu exercício laboral.

“Estamos presos numa planilha para compensar os dias de paralisação. Queremos dizer com isso que os servidores vão pagar, mas que isso deve ser entregue para o cidadão, para a sociedade, e não para o órgão, porque temos que ter foco no resultado, e não em uma obrigação profissional que não leve em conta a ponta do processo”, destacou a representante sindical Vilma Ramos.

Em determinado momento do debate, foi dito que é necessário uniformizar uma metodologia de compensação da greve. “Hoje, se faz uma punição do direito de greve. O critério tem que ser o de dar conta do que está parado do serviço, ou seja, da demanda represada. Qualquer dia desses, estaremos caminhando para uma greve por causa da compensação da greve passada”, salientou o representante sindical Henrique Martins. “Temos que passar uma régua na compensação”, complementou João Torquato.

O representante sindical Leonardo Fonseca, que participava virtualmente do encontro, foi ainda mais enfático e contundente em seu depoimento: “Antes de falarmos de compensação pelos dias parados na greve, temos que pensar que estamos sem condições mínimas para exercer bem o nosso trabalho, porque a instabilidade está sendo regra. Temos servidores que estão deprimidos e outros que estão inclusive se suicidando. O que o INSS tem feito para minimizar a instabilidade no nosso trabalho?”, indagou ele. E completou: “Temos que considerar uma compensação coletiva. Penso que a primeira coisa a ser resolvida agora é a reestruturação do INSS, que precisa ser resolvida para poder nos dar condições melhores de trabalho. Tem que ser promovida a qualidade do serviço, e não a quantidade. De que adianta compensarmos os dias parados e o INSS continuar funcionando da maneira ineficiente em que está?”.

Na ocasião, os representantes da Direção Central do INSS responderam que eles também estão passando por dificuldades no retorno da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev). Segundo eles, diversos incidentes no âmbito da alçada da Dataprev têm ocorrido e têm prejudicado o sistema do INSS, acarretando lentidão, indisposição e indisponibilidade de dados e informações. Para eles, o modelo do sistema tem que ser mais transparente também para a Direção Central do INSS, que é o que não está ocorrendo, o que redunda em ineficiência para todo o órgão federal. “Estamos também muitas vezes como reféns da indisponibilidade do sistema”, citou uma representante da Direção Central do INSS. Já ao fim do encontro, Vilma Ramos argumentou: “Por que não fazemos mutirões para compensar a greve?”. Em seguida, continuou: “Precisamos ter o pé na realidade. O INSS está destruído. Não há como fazer a compensação pelo modelo de cronoanálise, por exemplo, porque não existem indicadores. O INSS está dilapidado. Não vamos falar de compensação de greve de um órgão que está nas páginas policiais”, sintetizou ela.

Compartilhar:

Postagens relacionadas