Ministro da Saúde recebe servidores da ex-Sucam

A principal demanda dos trabalhadores é a tramitação legislativa da PEC 101, para a concessão de plano de saúde aos servidores Paulo Castro(Ascom/Sindprev-DF) Após o grande êxito da Marcha Nacional contra a Reforma Administrativa, que ocupou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), na manhã da última quarta-feira (29/10), servidores da extinta Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) realizaram à tarde um ato em frente ao Ministério da Saúde. Carinhosamente conhecidos como “sucanzeiros”, os servidores foram recebidos em seguida por Eliane Cruz, chefe de gabinete do ministro, juntamente com assessores e o ex-senador Acir Gurgacz (PDT/PR), que também esteve presente na recepção aos sindicalistas e fez parte da mesa no auditório do MS. Ao fim do encontro, os servidores foram recepcionados pelo próprio ministro Alexandre Padilha, que recebeu deles um documento com suas reivindicações. A principal delas diz respeito à justiça em reparação histórica pelo comprometimento da saúde, pela inviabilização da sua qualidade de vida e pelos óbitos de agentes da Sucam que, por vários anos, durante o seu trabalho, foram intoxicados devido à exposição ao inseticida dicloro-difenil-tricloroetano (DDT). Para isso, os servidores contam com a força política do ministro Padilha em apoio à tramitação da PEC nº 101/2019 e do PL nº 5.489/2023 no Congresso Nacional. A PEC garante plano de saúde vitalício para os servidores intoxicados no exercício de suas funções sanitárias e o PL provê assistência integral à saúde dos servidores. A PEC 101 já teve sua admissibilidade aprovada na CCJC em 2021 e agora necessita da continuidade da sua tramitação no Parlamento. Outra reivindicação dos servidores presentes ao encontro se refere ao reajuste e à extensão da Gratificação de Atividade de Combate e Controle de Endemias (Gacen), para os servidores federais de saúde cedidos à SES-DF. Os representantes sindicais defendem uma mudança na forma de reajuste da Gacen, que deveria ser feita de acordo com o índice inflacionário. Apoio do MS à legítima causa dos trabalhadores Em reunião no auditório do MS, os servidores receberam de Eliane Cruz e de seus assessores a garantia de que a tramitação da PEC seria atendida. Segundo ela, o ministro Padilha considera justa a luta dos trabalhadores e, quando o MS já tem um parecer favorável à causa, já é o primeiro passo para a tramitação se acelerar no Parlamento. De acordo com as entidades de classe representadas na reunião, são hoje cerca de 30 mil trabalhadores que reivindicam o plano de saúde, mas já foram antes mais de 77 mil. Muitos já morreram em decorrência da insalubridade de suas atividades laborativas. Por conta disso, a reunião foi marcada por depoimentos emocionados, em memória dos colegas que já partiram. Além de trabalhadores valorosos, são servidores que atuaram com destacado heroísmo na luta pela erradicação de enfermidades como a malária e a febre amarela e que padecem com terríveis consequências à própria saúde pela exposição a pesticidas, muitas vezes sem o devido amparo do Estado. O Ministério da Saúde informou que irá apoiar a criação de um grupo de trabalho (GT) para construir encaminhamentos coletivos e paritários sobre o tema e afirmou que buscará diálogo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para instalar a comissão especial que deve analisar a PEC 101. Já ao fim da reunião, os servidores foram recebidos pelo próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na ocasião, representando o Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Sindprev/DF), os diretores Carlos Henrique Bessa Ferreira e César Henrique Melchíades Leite solicitaram do ministro um depoimento em apoio à causa e foram atendidos (veja o vídeo abaixo). Da parte do Sindprev/DF, participaram da reunião os diretores Carlos Henrique Bessa Ferreira, César Henrique Melchíades Leite, Maria Auxiliadora Sousa da Silva, Edson Fontes de Lima e Silene Leiro Santos.
Marcha contra a Reforma Administrativa reúne milhares na Esplanada dos Ministérios

Paulo Castro(Ascom/Sindprev-DF) A manhã do dia 29 de outubro de 2025 ficará conhecida como um momento histórico do movimento sindical brasileiro em todos os tempos: a Marcha Nacional contra a Reforma Administrativa ocupou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), em protesto contra a PEC 38, que ameaça todo o funcionalismo público federal. Praticamente todos os movimentos sindicais do País se viram representados na marcha, que contou também com a presença e o apoio de diversos parlamentares. O ato serviu como um claro recado de toda a força de servidores que sustentam o Brasil para um Congresso Nacional que representa um retrocesso às vitórias conquistadas pelas entidades de classe nacionais. A PEC 38/25 é considerada hoje uma séria ameaça aos direitos sociais e aos serviços públicos brasileiros. A PEC 38/2025 também realizará a privatização dos servidores públicos, tornando-os uma propriedade do governante de plantão, que, a qualquer pretexto, poderá demitir servidores de carreira e colocar, em seus lugares, cabos eleitorais, que, em vez de realizarem seu papel como servidores, inclusive fazendo denúncias de irregularidades, serão obrigados a realizar as vontades do chefe do Executivo. O Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Sindprev/DF) também marcou presença no evento, que contou com severas críticas ao conteúdo da proposta, que surgiu para transformar o serviço público em um balcão de negócios. Diversos parlamentares participaram da atividade e levaram palavras de apoio aos servidores públicos. Participaram do ato parlamentares como Erika Kokay (PT-DF), Alice Portugal (PCdoB-BA), Rogério Correia (PT-MG), Luciene Cavalcanti (PSOL-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), Ana Pimentel (PT-MG), Fernando Mineiro (PT-RN), Reginaldo Veras (PV-DF), Tarcísio Motta (PSOL-RJ), Glauber Braga (PSOL-RJ), Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Natália Bonavides (PT-RN), Maria do Rosário (PT-RS) e Adriana Accorsi (PT-GO), dentre diversos outros parlamentares que defendem os direitos da classe trabalhadora. Entre as críticas está também a maneira como a PEC tem sido conduzida na Câmara dos Deputados, “empurrada a toque de caixa”, sem diálogo com a sociedade e com o maior interessado: o próprio funcionalismo público. A reforma proposta pela PEC 38/25 é um verdadeiro tiro nos direitos da população, uma vez que compromete com gravidades os serviços públicos e precariza o atendimento à população. A marcha reforçou a importância da unidade sindical e da mobilização de todas as entidades de classe na defesa dos serviços públicos prestados. Mais uma vez, a voz das ruas se fez ouvir. Seguiremos unidos e firmes nessa luta! Nove deputados já não subscrevem mais a PEC 38 Na manhã desta quarta-feira (30/10), a Folha de S.Paulo publicou uma matéria em que afirma que nove dos 171 deputados que assinaram a PEC 38 solicitaram a retirada de suas assinaturas, o que evidencia que a força da categoria já mostrou a que veio e não irá retroceder até enterrar a PEC da morte do funcionalismo público. Durante o ato público, um refrão ecoou e é uma profecia para quem apoiar a PEC 38: “Parlamentar que votar contra o povo brasileiro não volta a ser eleito”.